31 de ago de 2007

ESCREVER


Escrever,
apagar este silêncio
palavras
morrem nas bocas;

Escrever
transformar
imperfeitas letras
saciar a fome
da alma calada
reencontrar carinhos;

recuperar as rosas
jardins calados de sonhos
verdades vividas
sem espinhos

Escrever
repartir a dor
hoje, sobre o ontem
agora, a vida
preparando o amanhã
escrever
novos caminhos.

Ana Wagner
para J.M.
(30/Agosto/2007)

ÚLTIMO BEIJO


Último Beijo

Beijo
a vidraça do quarto
divido a lua
debruço-me à sombra.

Coração
outrora poeta,
chora
unhas cravadas no escuro.


A janela abandonada
calam os grilos
na noite morrem
sonhos
na calçada.

(Ana Wagner)

28 de ago de 2007

RITUAL


***
Ritual

Rasgar
retratos
de absurda paixão;
chuva lavada
lágrimas em vão,
subir paredes
da bem-vinda sanidade,
fria passagem
vesperal
que leva ao infinito
da noite;
acender
estrelas do céu
no capítulo final.


Ana Wagner

***

26 de ago de 2007

RETICÊNCIAS...


Reticências

Reticências
duvidosas
lágrimas
vitoriosas
rainha desse império
vida incógnita
apaziguar as águas
peregrina
busco um abrigo
solitária
busco um amigo
deserto
rumo incerto
sou nada
minha estrada
sem direção

meu viver
meu ser
solidão...

Ana Wagner

25 de ago de 2007

MÁSCARA


Máscara

Solto a máscara,
abro a janela da noite;
desejos, sonhos
fugiram;
cúmplice, a lua,
encabulada
aos olhos das estrelas
não trairá meus segredos!
Fecho os olhos para o sol,
recolho risos e devaneios;
quando voltarem meus anseios
usarei o véu do dia,
vestirei a face da morte!

(Ana Wagner)

24 de ago de 2007


azulejos portugueses

23 de ago de 2007

Homenagem à Joaquim Marques

18 de ago de 2007

O HOMEM QUE EU QUERO


O Homem Que Eu Quero

Te olho assim
límpido, sincero
o homem que eu quero
pra me fazer sentir
teus braços no meu abraço
meus dias em teu olhar
me envolver com tua alma
na inconseqüente calma
de uma manhã de amor
sentir teu calor
vindo devagarinho
como quem está sozinho
tão meu tão sincero
o homem que quero

Ana Wagner

OUTRO DIA


Outro Dia

O sol rasgou meu sonho
gerado na noite escura
é o parto de outro dia
vida escorre vadia
entre os dedos do tempo
pássaros cegos
noturnas sombras
voam em minha mente
nas cordilheiras esguias
da manhã nascente
a tarde adolescente
veste uma nova roupa
e pelos atalhos de fogo
a vida me escapa aos poucos
pelas veredas perdidas
pelos cantos da boca

Ana Wagner

12 de ago de 2007

LONGA JORNADA


Longa Jornada

Frias tardes enevoadas
uma existência contida
botão de rosa desfolhada
chegada ao ponto de partida
relógio quebrado
estilhaçando as horas
o sol, negra melancolia
esquálido pássaro rastejante
fragmentos de sonhos fugidios
voando nuvens púrpura brilhantes.
Como crer que o todo é nada,
se o tempo da vida é um instante
e é longa, longa a jornada?

Ana Wagner

10 de ago de 2007

FALE COM ELA...



Cidinha:


Acabei de ler um poema lindo, de Ana Wagner (aqui do Recanto) - "Fale com Ela". Lembrei-me do filme homônimo, de Almadóvar e me emocionei de novo. Filme triste, profundo, como poucos.
Mas o que eu quero deixar registrado aqui é um pedido de socorro, um grito de alerta.
As pessoas estão cada vez mais se acomodando com suas tristes vidas. Egoísticamente, se isolando.
Algumas, sufocadas pela falta de tempo, outras por medo de envolvimento.
Amizade, amor, afeto, aproximação, exigem uma certa entrega. Se não regamos nossa plantinha, ela morre.
E é isso o que vejo acontecer cada vez com maior freqüência. As pessoas se afastam, os relacionamentos acabam e a solidão aproveita o ninho vazio e se instala.
Portanto, por favor, fale com ela!
Por favor, fale comigo!!!!!

CIDINHA - POETA DO RECANTO DAS LETRAS

FALE COM ELA

Minha vida almodóvar
Atravessa o silêncio
Guarda todos os gritos
Tomba numa rua
Vulgares calçadas
Quintana de quimeras
Procura mapas em meu corpo
Solta gargalhadas
E então espera...
Pára olha pensa
Cala cai
No abismo das horas

Fale com ela...

Ana Wagner

5 de ago de 2007

NAUFRÁGIO DOS POETAS


Naufrágio dos Poetas

À noite os poetas naufragam
na essência da busca vazia
da poesia presa na garganta
que nem o pranto alivia
inventando nobres fantasias
rabiscando júbilo perene
palpitando em rimas solenes
na trilha do momento seguindo
metafórico destino parindo
com vestes e máscaras de fulgor
vão cantando seu grito de dor

Ana Wagner

SONHOS VAZIOS


***
Sonhos Vazios

Das estrelas submersas
um poço de silêncio
das lágrimas mortas
inventei a quimera
investi na fantasia
antigas aventuras
passadas paragens
degustei amargura
de meus livros antigos
salivei a poeira
da inocência esquecida
provei fundo da vida
habitei em teus sonhos
com as mãos amarradas
e vazias sementes
e o castelo ruiu
com demente loucura

***

Ana Wagner

MÁGOA


***
Mágoa

Tão infinita mágoa
do mar de teu corpo
quanto inesgotável
o leito do meu rio
que em ti deságua
enigma cor de esperança
promessas reticentes
na luz no pensamento
bebi todo o teu céu
na paz no esquecimento
provei todo o teu inferno.

Ana Wagner

***